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Pegando a estrada com as irmãs da Haim

Quando se trata de viagem, poucas pessoas têm histórias melhores do que músicos. Algumas dessas histórias saem dos palcos, como um divertimento no meio do caminho, bandas costumam falar de histórias das suas músicas ou da última vez que eles estiveram naquela cidade. Mas nem todas as histórias são contadas.
As melhores delas vêm das estradas, já que a sobrevivência da maioria dos artistas vem de turnês. Todos os dias bandas surgem da garagem, do porão, ou do estúdio, entram um uma van, ônibus ou avião e seguem o mesmo caminho como milhares de bandas já fizeram. Garotas da Califórnia vão parar em Hackney, um quarteto de Buenos Aires aterrisa em Istanbul, garotos de Hampshire acabam em Omaha, e no tempo antes de começar e depois do bis, eles ocupam um mundo diferente, um monte de estranhos que reagem á música de maneiras diferentes.
Essa coluna é um lugar para músicos — um diferente a cada mês — e sua música. É um lugar para contar histórias de estrada, dentro e fora do palco, um jeito de virar o retrovisor para o mundo que passa na sua janela. Primeiramente: Haim.
Essas três irmãs da Califórnia misturam um pop dos sonhos dos anos 80, R&B, e puro rock and roll. Em uma temporada de shows em 2012 pelo Reino Unido — incluindo shows com Florence and the Machine na arena O2 - Haim roubou os corações britânicos na sua primeira turnê como ato principal, recebendo criticas e amor popular e acabando o ano no top da prestigiosa lista da ‘ BBC Sound of 2013’.
“Eu nunca tinha estado no Reino Unido até oito meses atrás,” disse Este, a irmã mais velha de Danielle e Alana. “Mas agora é a nossa casa longe de casa. Quando nós chegamos no Heathrow, nós dizemos, "é bom estar em casa.”
Agora á caminho de uma pequena turnê com Mumford and Sons, um show principal em Washington, D.C., e o lançamento do EP Falling no 1º de Abril, Este e as garotas dizem que elas estão famintas por mais tempo de turnê. “Tem motivação pra terminar esse CD,” disse Este. “Nós queremos viajar, nós queremos ver o mundo. Algumas pessoas acham que viajar é uma tarefa,  nós achamos que é a coisa mais prazerosa. 

Culpe os pais, principalmente o Pai, pelo desejo das irmãs de quererem subir e ver novos lugares. “Eles não fazem pessoas como Moti Haim hoje em dia,” diz Este. Moti (apelido para Mordechai) e sua esposa Donna Haim criaram as três irmãs em San Francisco Valley, mas quando Este nasceu Moti teve uma decisão difícil pra ser tomada.
“Meu pai tinha habilitação para pilotar,” disse Este. “E ele e seis dos seus amigos, que amavam voar, tinham comprado um Cessna juntos. Mas nós éramos classe média baixa e eles não tinham nada. Então quando eu nasci, os amigos dele disseram, ‘Olha, vamos vender o avião pra você poder comprar uma casa pra sua família. ’ E foi isso que eles fizeram. Tudo o que meu pai tinha era esse avião, e ele virou uma casa. Esse é o meu sonho, fazer dinheiro suficiente pro meu pai poder ter o seu avião de volta.”
Junto com a casa, Moti e Donna deram para suas filhas o amor pela música. Eles as ensinaram a tocar desde que conseguiram segurar instrumentos. A família até tinha uma banda de covers, Rockinhaim, com Moti tocando bateria e Donna no vocal principal. Nos intervalos da escola, a família Haim tocava nas feiras da Califórnia.
Depois da escola, as meninas continuaram tocando. Este foi pra UCLA e estudou etnomusicologia, com foco na música brasileira. Danielle tocou guitarra e percursão para Cee-lo Green, Julian Casablancas e Jenny Lewis.
“Nós nunca conseguimos viajar exceto Danielle,” disse Este. “Ela meio que tinha visto o mundo antes dos 20 anos. Eu estudando e ela tendo a chance de ver os lugares que eu estava aprendendo sobre. Tudo o que eu queria era ir para o Brasil, e claro ela foi. E quando ela voltou, eu percebi tudo bem a gente tem que fazer isso de verdade. É tudo ou nada.”
Em março de 2012, depois de tocar juntas por seis anos, Haim finalmente lançou o seu primeiro EP, “Forever.” Um contrato com uma gravadora seguiu, do mesmo modo de fãs adorando, e a chance de viajar. “A gente começou em Reykjavik, Iceland — uma das primeiras vezes que a gente viu neve de verdade,” disse Este. “Nós tivemos um dos melhores shows, e ai veio Amsterdam, Brussels, Cologne, Paris e Berlim.”
Todo show internacional foi uma surpresa. As garotas nunca souberam realmente o que elas iram encontrar. “Nós fizemos um show que todo mundo estava em silêncio,” disse Este. “Quando nós temos show, eu costumo agitar as coisas. Eu gosto de ter uma ligação direta com o público. Eu gosto disso. Eu não acho que deveria ter uma parede entre o público e o artista. Você está ali junto.”
O Reino Unido provou que está mais do que querendo estar junto com as irmãs de San Fernando Valley. “Nós tocamos na Escócia, Manchester, e todas essas cidades do Reino Unido perto de Londres,” disse Este. “Os fãs do Reino Unido são incríveis e eles fizeram cartazes para nós e foi tão inesperado e louco. As coisas se tornaram um pouco emocional. Nossa idéia é escrever músicas e pensar ‘Quão legal seria se nós tocássemos ao vivo e a platéia cantasse as letras pra nós de volta? Quão legal isso seria?”

E ai isso aconteceu. Elas estavam tocando em um lugar chamado Dingwalls na vizinhança eclética de Londres. A multidão sabia as palavras. As pessoas estavam cantando junto. Noites como aquela encantaram pra sempre as irmãs a Londres.
“Em Londres, tudo é tão perto,” disse Este. “Tantas noites que nós começamos no centro de Londres e ai nós fomos pra algum lugar tipo Joe’s, esse tipo de lugar que você vai quando ninguém sabe onde ir. É sólido e toca boa música, então a gente foi e dançamos a noite inteira. Alguém disse ‘vamos para um karaokê.’ Então a gente foi pra esse lugar chamado The Birdcage e cantamos no karaokê até tipo, quatro da manhã,  e ai você encontra uma loja de falafel e pede um falafel que claro tem batata fritas e muito molho de tahini. Você vai dormir ás seis da manhã e acorda ás dez para gravar... Londres nunca dorme.”
Este diz que a turnê nunca diminui o apetite para cair na estrada. Ser a banda de apoio pra Mumford and Sons só vai durar algumas datas, mas enquanto Haim tenta acabar o primeiro álbum completo, está com uma visão bem clara da onde a sua música pode chegar.
"Eu quero ir para o Brasil,” disse Este. “Eu quero ir pro Rio e não só para o carnaval. Eu quero tocar bateria em uma escola de samba, ver o país e tudo o que isso tem para oferecer. Parece ser o lugar mais mágico. É um sonho meu.”
  

*Essa matéria foi publicada em fevereiro de 2013
                                                                                                                                          
Tradução feita por: Marina Pacheco 

  
Pegando a estrada com as irmãs da Haim Pegando a estrada com as irmãs da Haim Reviewed by Julia Novaes on 17:20 Rating: 5

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