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Resenha do show em Miami

Haim
Banda de abertura: Shy Girls
Fillmore Miami Beach
Terça-feira, 29 de abril de 2014

Melhor do que
: as habilidades musicais de qualquer outra banda adolescente.
Haim (cuja pronúncia soa menos como o sobrenome do galã adolescente do final da década de 1980, Cory, e mais como as últimas quatro letras do brinde hebraico l’chaim, ou as primeiras quatro letras do nome espanhol Jaime) tem despertado comparações com Fletwood Mac no meio do jornalismo musical. Mas, a partir do momento em que a banda familiar executou sua primeira música, “Falling”, na casa de shows Fillmore Miami Beach, foi difícil perceber muitas similaridades além da mesma origem, ambas do sul da Califórnia, e uma tentativa de cover de “Oh Well”.

Nada de harmonias compartilhadas ou suaves baladas de amor não correspondido; em vez disso, tiques vocais parecidos com os de Michael Jackson, e batidas dos anos 1980 que lembram a música Conga, do Miami Sound Machine.
  

Se fosse obrigatório escolher uma banda da história musical com quem Haim traça paralelos mais próximos, ela não seria Fleetwood Mac, e sim Hanson. Assim como os cantores de “MMMBop” na década de 1990, Haim são três irmãs criadas pelos pais para dominar as paradas musicais com suas longas e magníficas madeixas.


Durante a apresentação de mais de uma hora, as três irmãs balançaram suas luxuriosas jubas e demonstraram emoção passando os dedos pelos cabelos perfeitamente condicionados. Se a carreira musical não der certo, elas podem contar com um lucrativo contrato de marketing com a Neutrogena ou a Herbal Essences.

Mas, se o sucesso das Haim não perdurar para além do seu álbum de estreia, Days Are Gone, que alcançou o sexto lugar na parada da Billboard, não será por falta de talento musical das irmãs. Durante toda a noite, elas comprovaram sua habilidade para fritar uma guitarra ou um baixo e, ao mesmo tempo, tocar percussão no ritmo certo — muito impressionante na parte instrumental de “Oh Well”.
 

Mesmo assim, talvez elas estejam mais bem preparadas para um futuro próximo com plateias mais intimistas do que a sala lotada do Fillmore. Porque, no momento, falta sofisticação às letras e à presença de palco das irmãs, e nenhuma das músicas apresenta a tolice atemporal de um refrão pegajoso como o de “MMMBop”, apesar de “The Wire” ser a canção mais próxima disso.

Um dos maiores erros estratégicos da banda é que, enquanto Danielle Haim assume a maior parte dos vocais, sua irmã mais velha Este responde pela interação com a plateia, numa performance que parece ser influenciada pela personagem Shoshanna da série Girls, da HBO.
 

“Este é o nosso primeiro show em Miami”, Este disse a certa altura à multidão que as aplaudia. “Como vocês nos convidaram para a sua casa, nós estamos convidando vocês para a nossa. Quando os nossos pais viajavam para fora da cidade em San Fernando Valley, nós organizávamos uma festa em casa. Essa é a nossa festa e vamos fazer uma jam para vocês.”

Isso foi legal de certa forma, mas ainda prefiro a competência silenciosa de Danielle, que foi extremamente direta e deixou as músicas falarem por ela, à loquacidade de Este ao apresentar “Don’t Save Me”.
 

“Essa é uma música que vai fazer vocês dançarem. Miami é famosa por isso”, divagou Este. “Essa é a primeira vez que tocamos em Miami, mas nós já viemos para nos divertir. Eu me lembro dos anos 2000, antes do ano novo. Eu tinha treze anos, usava aparelho, e nós estávamos em uma festa muito louca. Quando deu meia noite, ouvimos a música ‘Miami’ tocando”.
Então, ela lançou uma versão improvisada de “Miami”, de Will Smith, o que a maior parte da plateia adorou e começou a cantar junto, mas eu me senti como se estivesse presa em uma noite de karaokê da fraternidade.
 

Com a idade das irmãs dentro de um intervalo considerado jovem (Este é a mais velha, com 28 anos, e Alana, a mais nova, tem 22), elas ainda têm tempo para se apaixonar, partir o coração, conhecer o sudoeste americano de carona, ou viver outras experiências significativas ou insignificantes que possam ajudar suas letras e personalidades a alcançar o mesmo nível das suas habilidades musicais.

Talvez, um dia a vida trará outro lote de músicas das Haim que seja mais memorável. Ou, pelo menos, poderia ajudá-las a pensar em um intervalo mais espirituoso entre as músicas.

Caderno da crítica
Setlist da Haim:
"Falling"
"If I Could Change Your Mind"
"Oh Well"
"Honey & I"
"Days Are Gone"
"My Song 5"
"Running If You Call My Name"
"Don't Save Me"
"Forever"
Bis:
"XO"
"The Wire"
"Let Me Go"
 *A resenha do show feita por David Rolland, foi muito criticada pelos fãs e espectadores da apresentação avaliada, por conter argumentos 'injustos' em relação a qualidade do concerto e das habilidades da banda.



Tradução feita por: Sayuri Arakawa
 
Resenha do show em Miami Resenha do show em Miami Reviewed by Julia Novaes on 15:06 Rating: 5

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