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Resenha do show no Terminal 5 em Nova York

O trio de irmãs intensifica o verniz pop do seu álbum na cavernosa casa de shows do bairro nova-iorquino Hell’s Kitchen

“Chega de enviar mensagens... Vivam o momento!”

Essa foi a mensagem das Haim a um público caloroso que, mesmo sem respeitar totalmente a tal regra (uma transgressão revelada pelas telas de LED dos celulares piscando sem parar como vagalumes ), cantou, dançou e, de maneira geral, se entregou em todos os momentos do set de uma hora e quinze minutos do trio de irmãs, no Terminal 5 em Nova York, durante a noite de sábado (dia 10 de maio; a banda fez uma apresentação extra no dia 11 de maio).
Com a baixista Este Haim atuando como principal porta-voz do show e liderando grande parte dos diálogos espirituosos da noite, Danielle oferecendo os vocais solo e uma intensa performance na guitarra, e Alana atacando a percussão, a banda manteve sua tendência de trazer um toque mais vigoroso aos shows em comparação ao acabamento pop do seu álbum de estreia, “Days Are Gone”. O disco entrou na sexta posição da Billboard 200 na semana de 19 de outubro de 2013 e vendeu 168 mil cópias nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen SoudScan.
O fato de o público, formado em grande parte por jovens com vinte e poucos anos e, aparentemente, mais feminino do que masculino, ter assumido os vocais de apoio da maioria das canções da noite é uma prova da força dos refrões e da dedicada agenda da turnê das Haim ao mesmo tempo em que, curiosamente, o rádio ainda precisa aceitar a banda. Até hoje, “Forever” marca a única aparição das Haim no ranking da Billboard, tendo passado uma única semana na 40ª posição (em março) na categoria “Alternative Songs”. (Entretanto, a música tem condições para estrear em “Adult Pop Songs” e se aproxima do registro “Pop Songs”.)
A plateia não precisou de muita provocação para pegar fogo — uma noite de sábado em Nova York, o tempo finalmente esquentando, longas filas para beber durante toda a noite, além da música —, e as Haim agradeceram efusivamente os presentes pelo apoio inabalável da cidade desde os shows anteriores no Webster Hall e no Brooklyn’s Music Hall de Williamsburg. Antes mesmo de vislumbrar o palco, os fãs puderam mergulhar nos elementos visuais de “Days Are Gone”, sentando-se em uma das três cadeiras de praia colocadas em frente a um cenário de grama verde, e tirando sua própria foto no mesmo estilo da capa do álbum.
Este Haim (28, a mais velha das três; Danielle tem 25 anos e Alana, 22) contou a história mais reveladora da noite, literalmente. Em 2007, ela e sua amiga Kesha (três anos antes de “TiK ToK” liderar a parada Billboard Hot 100 por nove semanas) foram a uma apresentação da M.I.A. no Terminal 5 (um ano antes de a artista alcançar a 4ª posição no Hot 100 com “Paper Planes”). Quando a rapper britânica chamou as fãs para subirem no palco durante uma música, as futuras donas das paradas aceitaram o desafio. Este, de vestido, foi erguida por um segurança, e, “Sim, todo mundo viu o meu traseiro”, ela admitiu, brincando. Assim que a história ganhou uma aprovação calorosa (certamente vinda da maioria dos solteiros presentes), Este comentou: “E ele foi bastante aplaudido”.
Com refrões fáceis de lembrar e uma explosão de energia, as Haim foram capazes de transformar o cavernoso, labiríntico — e lotado — Terminal 5 em um lugar aconchegante. Havia fãs sentados no chão do mezanino, com as pernas balançando sobre a multidão espremida lá embaixo, na pista. (Visualmente, imagine a prisão estadual de Shawshank, com a diferença de a música ser recompensada com aplausos, não com duas semanas na solitária [referência do filme Um Sonho de Liberdade].)
O trio, balançando os longos cabelos, tocou todas as músicas do álbum “Days Are Gone” à exceção de uma (“Go Slow”), incluindo as especialmente contagiantes “Falling”, “Don’t Save Me” e “Forever”. A última do álbum, “Running If You Call My Name”, proporcionou o clima mais próximo de um momento “celulares balançando no ar”, mas mesmo essa faixa, a última escrita para o álbum, como Danielle disse, terminou num ritmo mais acelerado, pontuado pelos riffs sujos da guitarrista.
Fora do seu centro musical puramente pop, as Haim ainda adicionaram um tórrido cover de “Oh Well”, do Fleetwood Mac, além da parte mais sombria do álbum, a complexa “My Song 5”, e uma versão mais roqueira de “XO”, da Beyoncé.
A noite passou voando, na mesma velocidade em que Danielle dedilhou sua guitarra, e os gritos do público se aproximavam do barulho ouvido no show de qualquer banda de fama incontestável (status que um grande hit das Haim no rádio poderia ajudar a dar forma).
“Isso é tão incrível”, Alana ficou maravilhada com a devoção do público durante o bis. A cantoria alegre dos fãs, até mesmo enquanto se enfileiravam na direção das saídas, sugere que a ascensão das Haim ainda tem mais capítulos por vir.
Aqui está o setlist do show das Haim (com abertura de Shy Girls; a banda Tennis abriu a noite seguinte) no Terminal 5 em Nova York, no dia 10 de maio de 2014. O trio de Los Angeles se apresenta na América do Norte até o dia 25 de maio, antes de seguir para a Europa até o dia 20 de julho, e retornando para outros seis shows nos Estados Unidos no mês de agosto.

"Falling"
"If I Could Change Your Mind"
"Oh Well" (cover de Fleetwood Mac)
"Honey & I"
"Days Are Gone"
"Don't Save Me"
"My Song 5"
"Running If You Call My Name"
"Forever"

Bis:
"XO" (cover de Beyoncé)
"The Wire"
"Let Me Go"
Tradução feita por: Sayuri Arakawa

Resenha do show no Terminal 5 em Nova York Resenha do show no Terminal 5 em Nova York Reviewed by Julia Novaes on 20:58 Rating: 5

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